sexta-feira, 10 de agosto de 2012
COISAS DO CORAÇÃO
E então, eu sozinha como estou agora, hoje sei que sou quem ti incomoda....mas continuo escutando a vóz do meu coração, que mesmo sentindo você tão ausente, mas sempre presente dentro do meu pensamento. não consigo entender, nem responder nada só sei sentir que meu coração só quer você. Enquanto isso sinto-me feliz em enganar a mim mesma, com coisas que meu coração quer ouvir para não sofrer......
Lu
sexta-feira, 9 de março de 2012
J.G.De Araujo Jorge
Gosto de ti
Desesperadamente;
Dos teus cabelos de tarde
Onde mergulho o rosto,
Dos teus olhos de remanso
Onde me morro e descanso,
Dos teus seios de ambrosias
Brancos, manjares, trementes,
Com dois vermelhos morangos
Para as minhas alegrias.
Do teu ventre - uma enseada
Porto sem cais e sem mar,
Branca areia a espera da onda,
Que em vai e vem vai se espraiar,
Dos teus quadris, instrumento
De tantas curvas, convexo,
Das tuas coxas que lembram
As brancas asas do sexo.
Do teu corpo, só de alvuras,
Das infinitas ternuras,
De tuas mãos, que são ninhos
De aconchegos e carinhos
Mãos agora, que parecem
Que só de carícias tecem
Esses desejos da gente...
Gosto de ti
Desesperadamente!
Gosto de ti, toda inteira,
Nua, nua, bela, bela,
Dos teus cabelos de tarde,
Aos teus pés de Cinderela,
(há dois pássaros inquietos
em teus pequeninos pés)
- gosto de ti, feiticeira,
gosto tal como tu és...
((j.G De Araujo Jorge))
|
Quando Chegares
|
|
Não sei se voltarás
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...
((J.G. de Araujo Jorge))
Fernando Pessoa
O Amor
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
((Fernando Pessoa))
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar..
Florbela Espanca
Tédio
Passo pálida e triste. Oiço dizer
"Que branca que ela é! Parece morta!"
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer...
Que diga o mundo e a gente o que quiser!
-O que é que isso me faz?... o que me importa?...
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!
O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!
E é tudo sempre o mesmo,eternamente...
O mesmo lago plácido,dormente dias,
E os dias,sempre os mesmos,a correr...
Passo pálida e triste. Oiço dizer
"Que branca que ela é! Parece morta!"
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer...
Que diga o mundo e a gente o que quiser!
-O que é que isso me faz?... o que me importa?...
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!
O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!
E é tudo sempre o mesmo,eternamente...
O mesmo lago plácido,dormente dias,
E os dias,sempre os mesmos,a correr...
((Florbela Espanca))
Eu ...
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
((Florbela Espanca))
Esperas...
Não digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paixão antiga,
Dos nossos bons e cândidos abraços!
Sou a dona dos místicos cansaços,
A fantástica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus braços…
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!
Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!
Espera… espera… ó minha sombra amada…
Vê que p’ra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!…
Não digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paixão antiga,
Dos nossos bons e cândidos abraços!
Sou a dona dos místicos cansaços,
A fantástica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus braços…
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!
Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!
Espera… espera… ó minha sombra amada…
Vê que p’ra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!…
Folhas de rosa
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente ...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m'embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mals fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente ...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m'embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que reflectia outrora tantos risos,
E agora reflecte apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mals fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...
((Florbela Espanca))
Súplica
Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d'astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim eternamente! ...
Vem para mim,amor...Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...
Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arrninho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d'astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente...
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim eternamente! ...
Vem para mim,amor...Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...
((Florbela Espanca))
Realidade
Em ti o meu olhar fez-se alvorada
E a minha voz fez-se gorgeio de ninho...
E a minha rubra boca apaixonada
Teve a frescura pálida do linho...
Embriagou-me o teu beijo como um vinho
Fulvo de Espanha, em taça cinzelada...
E a minha cabeleireira desatada
Pôs a teus pés a sombra dum caminho...
Minhas pálpebras são cor de verbena,
Eu tenho os olhos garços, sou morena,
E para te encontrar foi que eu nasci...
Tens sido vida fora o meu desejo
E agora, que te falo, que te vejo,
Não sei se te encontrei... se te perdi...
((Florbela Espanca))
terça-feira, 6 de março de 2012
Adão
Pasmo, da íngreme balaustrada,
junto à rosácea da alta catedral, a
sua visão parece perturbada
por esta apoteose que assinala
acima dos demais sua figura.
Ele está ali e exulta porque dura,
Determinado, como o lavrador
Que tendo começado seu labor
no Eden, o jardim perfeito, erra
sem achar numa nova terra
uma saída. Deus não deu suporte
ao homem e só fez ameaçar
dia após dia com o mal da morte.
Mas ele ousou: Ela vai procriar.
( Rilke, traduzido por Augusto de Campos)
((Poesia e imagem postada por um grande
amigo Cezar Drake))
((Poesia e imagem postada por um grande
amigo Cezar Drake))
A poesia é de um dos maiores poetas do inicio do século
passado e a imagem é da capela sístina, o Michelangelo adorava brincar com a
igreja, e isto está na capela do papa
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Carlos Drummond de Andrade
Falar é
completamente fácil,
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.
((Carlos Drummond de Andrade))
quando se têm palavras em mente
que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes
o que realmente queremos dizer,
o quanto queremos dizer,
antes que a pessoa se vá.
((Carlos Drummond de Andrade))
Fácil e Difícil
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.
Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las...
Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...
Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.
Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.
Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.
Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.
Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.
Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.
Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.
Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las...
((Carlos Drummond de Andrade))
AMOR
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração
parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais
importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo
brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for
apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo
mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa,
se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te
mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum
motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os
gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro
outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu
uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas
e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em
qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa
como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa
maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e
cabelos
emaranhados...
emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso
pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar,
de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e,
mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você
preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.
É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas
amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem
atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer
verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não
deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o
amor.
((Carlos Drummond De Andrade))
Rifa (clarice Lispector)
Frases e pensamentos de Clarice
Lispector
“Liberdade é
pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” (Perto do Coração Selvagem)
(Clarice Lispector)
“Até cortar os
próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que
sustenta nosso edifício inteiro.”
(Clarice
Lispector)
“Renda-se, como
eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se
preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”
(Clarice
Lispector)
“Sou como você
me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de
quando e como você me vê passar.”
(Clarice
Lispector)
“Minha força
está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes
ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.”
(Clarice
Lispector)
“O que eu sinto
não ajo,
O que ajo não
penso.
O que penso não
sinto.
Do que sei sou
ignorante,
Do que sinto
não ignoro,
Não me entendo
e “ajo como se me entendesse.”
(Clarice
Lispector)
“Até onde posso
vou deixando o melhor de mim...
Se alguém não
viu, foi porque não me sentiu com
O coração”
RIFA
Clarice Lispector
Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um
coração como poucos. Um coração à moda antiga. Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário. Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos, e
cultivar ilusões. Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas
pessoas. Um leviano e precipitado, coração que acha que Tim Maia estava certo
quando escreveu... "não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que
eu espero...". Um idealista... Um verdadeiro sonhador... Rifa-se um
coração que nunca aprende. Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança
de ser feliz, sendo simples e natural. Um coração insensato que comanda o
racional sendo louco o suficiente para se apaixonar. Um furioso suicida que
vive procurando relações e emoções verdadeiras. Rifa-se um coração que insiste
em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às
vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas
vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo. Rifa-se
este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir
as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração
para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão
abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado
para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se
das emoções. Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e
deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu
usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: " O Senhor
poder conferir", eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que
insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer". Rifa-se um coração,
ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais
fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o
abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente. Rifa-se um coração cego,
surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras
que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares
selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração
vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro
de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos que, mesmo
estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina. Um velho coração que convence seu usuário a
publicar seus segredos e, a ter a petulância de se aventurar como poeta.
CLARICE LISPECTOR
(01) Não te amo mais
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais…
(Clarice Lispector)
Obs:
Leia de baixo pra cima
(02) Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já
perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive
tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me
arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui
dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que
eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já
decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando
descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade
e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava,
para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei
de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já
deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe
disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria
gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para
agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já
fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas
para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar
esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a
realidade… Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico
ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me
reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não
ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora,
quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um
pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri
que não eram… Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e
serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero
acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou
seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a
ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de
mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a
mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais
amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos
mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou
dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!
Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como
descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de
refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido
meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham,
às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de
simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus
impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar
e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma
pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia
um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria
pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de
um impulso. Não sou maduro bastante ainda. “Ou nunca serei.”
(Clarice
Lispector)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Taj Mahal
GaneshaTAJ
MAHAL UMA DAS 7 MARAVILHAS DO MUNDO
Umas das
7 maravilhas do mundo, praticamente todos já o viram em inúmeras fotografias,
mas o que poucos sabem, é a história que está por detrás deste inigualável
monumento. O Taj Mahal, é não mais do que uma ode ao amor e representa toda a
eloquência que este sentimento pode ser. Durante séculos, o Taj Mahal inspirou
poetas, pintores e músicos que tentaram capturar a sua magia em palavras, cores
e música. Viajantes cruzaram continentes inteiros para ver esta esplendorosa
beleza, sendo poucos os que lhe ficaram indiferentes.
Como
todas as histórias, esta também começa da mesma maneira... Era uma vez um
príncipe chamado Kurram que se enamorou por uma princesa aos 15 anos de idade.
Reza a história que se cruzaram acidentalmente mas seus destinos ficaram unidos
para todo o sempre. Após uma espera de 5 anos, durante os quais não se puderam
ver uma única vez, a cerimónia do casamento teve lugar do ano de 1612, na qual
o imperador a rebatizou de Mumtaz Mahal ou "A eleita do palácio". O
Príncipe, foi coroado em 1628 com o nome Shah Jahan, "O Rei do mundo"
e governou em paz.
Quis o
destino que Mumtaz não fosse rainha por muito tempo. Ao dar à luz o 14º filho
de Shah Jahan, morreu aos aos 39 anos em 1631. O Imperador ficou tremendamente
desgostoso e inconsolável e, segundo crónicas posteriores, toda a corte chorou
a morte da rainha durante 2 anos. Durante esse período, não houve musica,
festas ou celebrações de espécie alguma em todo o reino.
Shah Jahan
ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, para que o mundo
jamais pudesse esquecer. Não se sabe ao certo quem foi o arquiteto, mas
reuniram-se em Agra as maiores riquezas do mundo. O mármore fino e branco das
pedreiras locais, Jade e cristal da China, Turquesa do Tibet, Lapis Lazulis do
Afeganistão, Ágatas do Yemen, Safiras do Ceilão, Ametistas da Pérsia, Corais da
Arábia Saudita, Quartzo dos Himalaias, Ambar do Oceano Índico.
Surge
assim o Taj Mahal. O seu nome é uma variação curta de Mumtaz Mahal.. o nome da
mulher cuja memória preserva. O nome "Taj", é de origem Persa, que
significa Coroa. "Mahal" é arábico e significa lugar. Devidamente
enquadrado num jardim simétrico, tipicamente muçulmano, dividido em quadrados
iguais cruzado por um canal ladeado de ciprestes onde se reflete a sua imagem
mais imponente. Por dentro, o mausoléu é também impressionante e deslumbrante.
Na penumbra, a câmara mortuária está rodeada por finas paredes de mármore
incrustado com pedras preciosas que forma uma cortina de milhares de cores. A
sonoridade do interior, amplo e elevado é triste e misterioso, como um eco que
soa e ressoa sem nunca se deter.
Sobre o
edifício surge uma cúpula esplendorosa, que é a coroa do Taj Mahal. Esta é
rodeada por quatro cúpulas mais pequenas, e nos extremos da plataforma
sobressaem quatro torres que foram construídas com uma pequena inclinação, para
que em caso de desabamento, nunca caiam sobre o edifício principal.
Os
arabescos exteriores são desenhos muçulmanos de pedras semipreciosas
incrustadas no mármore branco, segundo uma técnica Italiana utilizada pelos
artesãos hindus. Estas incrustações eram feitas com tamanha precisão que as
juntas somente se distinguem à lupa. Uma flor de apenas sete centímetros
quadrados, pode ter até 60 incrustações distintas. O rendilhado das janelas foi
trabalhado a partir de blocos de mármore maciço.
Diz-se
que o imperador Shah Jahan queria construir também o seu próprio mausoléu. Este
seria do outro lado do rio. Muito mais deslumbrante, muito mais caro, todo em
mármore preto, que seria posteriormente unido com o Taj Mahal através de uma
ponte de ouro. Tal empreendimento nunca chegou a ser levado a cabo. Após perder
o poder, o imperador foi encarcerado no seu palácio e, a partir dos seus alojamentos,
contemplou a sua grande obra até à morte. O Taj Mahal foi, por fim, o refúgio
eterno de Shah Jahan e Mumtaz Mahal. Posteriormente, o imperador foi sepultado
ao lado da sua esposa, sendo esta a única quebra na perfeita simetria de todo o
complexo do Taj Mahal.
Após
quase quatro séculos, milhões de visitantes continuam a reter a sua aura
romântica... o Taj Mahal, será para todo o sempre um lágrima solitária no
tempo.
((pego na rede desconheço autoria))
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Lua Adversa (Cecilia Meireles)
Lua
Adversa
Tenho fases, como a lua,
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.
E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...).
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...
((Cecilia Meireles, in ‘Vaga Música’))
Coisa de Pele
Coisa de pele beijo na boca,
Fazendo loucura tirando a roupa,
No meio da rua sem ter hora e nem lugar,
Eu sei que pro mundo isso é pecado,
Eu tenho namorado e você namorada,
Mais acontece que o tesão manda na gente,
Me diz, quem nunca traiu por atração,
Quem nunca dividiu pra dois um coração,
Quem nunca viveu um relacionamento a três,
Não existe ninguém pra atirar a primeira pedra,
Eu aceito ser sua ficante,
Você aceita o seu lugar de amante
E assim agente vai vivendo esse amor fora da lei,
Cheio de segredo e perigoso,
Esse nosso amor bandido é tão gostoso...
Todo mundo já viveu ou já passou por isso
Quem não se aventurou fora do compromisso
Se entregou fora de casa,
Sem querer pulou a cerca
E não conseguiu voltar,
Nosso caso é desse jeito mais vai ser pra sempre
Essa coisa proibida é o que completa agente,
Vão dizer que isso é errado,
era amante, namorado,
Só que hoje é tão comum e nós somos apenas mais UM...
((Autor desconhecido))
Assinar:
Postagens (Atom)








3.jpg)







